terça-feira, 10 de agosto de 2010

Domingo, 23 de maio de 2010 - Versão Vinny




Ele estava dormindo como um anjo. Essa foi a visão que eu tive na manhã de domingo. Isso depois de eu ter dormido tão profundamente que sonhei que estava lá com ele, e acordei assustado achando que alguém iria derrubar a porta do quarto. Ledo engano. Se não fosse essa bobeira, a gente podia ter ficado mais tempo no quarto. Mas mesmo assim foi bom porque eu fiquei sentado olhando ele dormir, até que ele acordasse. Mesmo a gente sabendo que tinha que levantar e sair do quarto, antes que todo mundo estranhasse, a gente não conseguia se desgrudar. Cada segundo, cada momento era precioso demais. Só que a gente tinha que ir, né?
A gente saiu do quarto e vimos que a casa estava vazia. (Frustração) Sim, podíamos ter ficado mais tempo no quarto. Mas a grande questão do dia era: o que iríamos fazer? A gente ia sair, não ia, o que ia acontecer? Bom, um outro tio dele chegou em casa e passou o dia lá, e levou também a filhinha mais nova, que é um amor.

Durante o dia, sempre que dava, a gente trocava uns beijinhos. Decidimos que íamos no shopping e passamos a tarde conversando. O primo dele quis ir conosco, mas ia sair pra outro lugar antes, então tivemos que esperar. A gente viu o filme que estava passando na televisão, junto com o resto da família, e mesmo assim ele me lançava uns olhares de vez em quando que me deixavam louco. Até que eu pedi para ir para o computador escrever sobre o filme horroroso que eu tinha visto no dia anterior. Ali, eu vi ele sentado na janela, olhando pro nada, do mesmo jeito que ele estava na foto que eu mais gostava dele. Às vezes ele sentava mais perto, às vezes mais longe, me observando escrever – o que ele disse que foi muito fofo de olhar. Mais fofo eram os beijos que ele me dava enquanto a gente estava ali, vivendo perigosamente já que o tio ainda estava em casa, mas a avó tinha ido para a igreja.

Fui buscar a câmera para tirar fotos, mas a tentativa foi um tanto frustrada. Ele disse que queria umas com a cadela dele, já que ele não tinha muitas, e então ele foi brincar com ela enquanto eu tirava as fotos (nem morto eu chegava perto dela!) Ele foi com ela até o quintal de trás, e eu fui para o último quarto, cuja janela dava para esse quintal. Uma das fotos dele que eu mais gostei foi essa, onde ele estava na janela. Óbvio que eu dei um beijo nele ali também. Não sei bem que hora foi, mas teve um momento em que ele entrou em casa pela janela do quarto e me arrastou pro banheiro, me beijando lá dentro com a porta fechada. Convivendo lado a lado com o perigo de sermos pegos.

De volta ao computador, esperando o tio dele ir embora, já que íamos ficar sozinhos, ele tirou uma foto minha sentado no computador escrevendo – ou isso foi antes? Não lembro, mas lembro da espera pelo tio ir embora, e ele tinha acabado de fazer duas fornadas de pão de queijo. Agora a gente ia ter que comer. E o tempo estava passando rápido, já era noite e o primo não voltava. Ou seja, sem shopping aquele dia. Àquela altura já estávamos conformados em ficar em casa, quando o tio foi embora, mas o primo chegou. Ele fez uma cara de decepção tão grande, que foi muito visível para o primo, que perguntou “O que vocês estão escondendo?”. Era a vontade de ficar sozinhos que estava sendo morta naquele momento. Mas ainda tinha a noite toda.

Foi-se um tio, chega-se outro. O tio do dia anterior, mais a esposa, vieram e ficaram mais um pouco. Até que ela era muito legal de se conversar. E foi só o que fizemos depois, mesmo quando os tios foram embora. Aproveitamos o clima, eu, ele e o primo, para conversar sobre o que a gente achava da causa gay, dos problemas da sociedade com isso, e dos nossos próprios problemas. A conversa estava fluindo naturalmente. Até que a avó chegou e o assunto mudou de rumo.

Não fizemos nada mais além de ver TV naquela noite. Tinha sobrado lasanha do almoço e a gente comeu. Quando voltamos pra sala, ele, que sempre sentava no sofá mais longe, sentou no meu sofá e ficou deitado com os pés me tocando. Sempre com os olhares que ele me dava. E eu de olho no primo pra ver se ele não estava vendo. Afinal, o problema ali era que eu, até então um desconhecido de todos, estava entrando no espaço deles, não importava se era o namorado de alguém da família e mais: justamente por isso, era estranho levar o namorado na casa da avó!
Mas quem disse que eu, ou ele, ligávamos pra isso? A uma certa altura ele foi buscar uma coberta, porque realmente estava frio, e colocou sobre os pés. Minha mão foi rapidamente pra debaixo da coberta e eu fiquei massageando os pés dele. Ele disse que o primo viu, mas eu não reparei.

O tempo estava passando e eu só estava esperando o momento certo pra levantar dali e ir dormir. Não agüentava esperar mais o momento de ficar sozinho com ele de novo. Quando decidi ir, me despedi do primo, porque não sabia se ia vê-lo no dia seguinte. Fui para o quarto pensando já no que eu faria pra ele, já que era a última noite e eu queria que fosse melhor pra ele do que pra mim, sabe, deixar mais uma boa lembrança.

Quando ele chegou, acho que só foi o tempo de escovar os dentes pra eu atacar ele e encostá-lo contra a parede. Sei que naquele momento eu beijei muito, mas como se nunca mais fosse beijá-lo. O tempo estava acabando e eu tinha que aproveitar. Foi uma noite incrível e especial. Começamos na cama e logo fomos para o colchão no chão, onde a gente ficava mais a vontade. Tenho a impressão de que foi mais intenso dessa vez, porque demorou mais todos os movimentos. Fizemos amor em todas as posições possíveis, mas ele se sentiu um pouco mal depois e a gente teve que parar.

Sem problemas. A gente foi para o chuveiro tomar um bom banho gostoso para revigorar a nós dois. Nesse fim de semana eu tinha ficado preocupado em fazer ele gozar, o que aconteceu depois do banho. Voltamos para o colchão e ficamos nos nossos amassos habituais tão gostosos, e ali a gente ficou se tocando até que os dois gozassem. Claro que a gente precisou de outro banho depois.

Ele foi tomar uma água, ainda estava se sentindo um pouco mal, e quando ele voltou ficamos agarradinhos e dormimos. Devemos ter dormido só até umas 3 da manhã, e depois ficamos o resto da noite conversando. Foi um momento bom em que relembramos tudo pelo que tínhamos passado e as coisas que ainda iríamos passar. Teve uma hora que eu sentei na posição do dia anterior, que eu tinha gostado, com ele sentado na minha frente, encostando a cabeça no meu peito e eu o abraçando. Ficamos assim por um bom tempo, depois deitamos e a gente reparou que nós tínhamos um lado preferido. Ele o direito, eu o esquerdo.

Até nisso a gente se completava. Foi quando eu tive a idéia de inverter as posições. Ele sentado encostado na parede e eu no colo dele, com a cabeça encostada no seu peito. Não sei porque eu, sempre tão egoísta quando se trata de carinhos, naquele momento me entreguei. Fiquei totalmente na dependência dos carinhos dele e conversamos um pouco mais. Aquele momento foi o meu preferido. Foi a cena que ambos escolhemos para ficar na memória. Um momento mágico e especial que era como se eu tivesse dito que, assim como ele tinha dado o coração dele pra mim, eu tinha feito o mesmo.

O dia estava amanhecendo. Já podíamos ver o rosto um do outro quando ele fez a coisa mais linda daqueles três dias. Ele me deu o brinco dele. E não só como uma lembrança qualquer. Ele disse que queria me dar o brinco porque foi quando eu o vi de brinco a primeira vez que eu me apaixonei de verdade. E foi mesmo. Mas nunca imaginei que aquilo iria ficar simbolizado em alguma coisa e ali estava, materializado na minha frente numa forma tão pequena, mas muito especial. Fiquei sem palavras e quase chorei. Dei o abraço mais apertado e afetuoso que eu consegui.

O dia estava terminando – ou começando? – e a gente não conseguia se desgrudar. As horas foram passando e eu prometi a ele que iria voltar. Que iria passar rápido e pedi a ele para me esperar, que eu voltava. Nunca amei assim na vida. Não sei se vou amar de novo assim na vida. É por isso que com ele é especial e não quis perder o que a gente tinha. Eu tinha que voltar pra casa, mas quem disse que eu conseguia?

Faltando alguns minutos pra gente ir, ele me agarrou mais uma vez e foi muito intenso. Tanto que ele me fez gozar mais uma vez. Não vou esquecer a química que a gente tem, o fogo que se forma quando estamos juntos e os momentos que ele me proporcionou. O cara mais lindo, mais quente e mais gostoso com quem eu já fiquei. E ele era meu. Meu namorado.

Fui tomar banho e me arrumar. Nos beijamos mais, nos despedimos mais, e deixamos a casa com tanta rapidez que eu achei até falta de consideração com a avó e com a casa, que me deu o melhor fim de semana da minha vida. Mas eu tinha que ir, ou perdia meu ônibus (nota para a próxima viagem: não comprar a passagem de volta com antecedência). O transito na ida não ajudou muito, tinha um engarrafamento e eu estava com medo de perder o onibus. Mas a uma certa altura nem ligava pra isso. Se atrasasse, eu podia ficar com ele um pouco mais de tempo. Conseguimos um lugar no ônibus onde podíamos sentar juntos e até ali ele foi fofo, mesmo com sono e se sentindo mal. Demos as mãos e eu não queria mais desgrudar dele. Aproveitei o transito para tirar a única foto nossa, já que eu não consegui tirar fotos na casa e não ia ter tempo depois.

Quando descemos do ônibus, a anta aqui ainda errou o caminho e foi para o lado errado. Quando encontramos o caminho certo, eu tinha que correr. Queria ainda ir com ele comprar a passagem dele, do ônibus dele, mas não dava tempo. Cheguei com o ônibus já na plataforma. Tinha que me despedir e dei um abraço nele deixando meu coração com ele, prometendo que eu iria voltar. Por um pouquinho não dei um beijo nele ali, em público, não estava ligando. Pena que não dava. Nos despedimos. Eu disse Eu Te Amo. Ele me disse Eu Te Amo. E eu fui para o ônibus. Queria ver aonde ele tinha ido mas não consegui. Passei as próximas 6 horas pensando na viagem que faria de volta (mentirinha, dormi 3 delas rs).

A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa, 6 horas depois, foi colocar o brinco dele em um cordão, pra eu usar sempre. Levar aquele pedacinho dele junto do meu coração. Tive que colar as pontas, porque o brinco tinha quebrado, mas não faz mal. Aquele brinco era a minha lembrança daquele fim de semana perfeito. Eu ia voltar a vê-lo no skype no mesmo dia. Mas nunca mais ia vê-lo da mesma forma. Era meu namorado quem estava ali do outro lado da tela. E eu o amo mais do que tudo. Minha vida mudou, minha mente mudou. Se a distância vai ser um problema? Claro que vai. Mas os problemas servem para serem resolvidos. E é isso que eu vou tentar fazer. Pelo amor mais puro que eu já tive.

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